*Este post marca o início da editoria #EngrenagemFinanceira. O texto faz parte dos dos conteúdos que publicamos nos programas de educação financeira e previdenciária. A partir de agora, toda semana (sempre às quintas-feiras) iremos compartilhar um novo material neste espaço!
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Segundo os especialistas a atitude é importante para a saúde financeira da família e fundamental para a própria formação dos jovens
Por fatores culturais e econômicos, é cada vez mais comum encontrar jovens adultos que ainda moram na casa dos pais. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais (SIS 2015), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas com 25 a 34 anos de idade que vivem com ao menos um dos familiares, passou de 21,2%, em 2004 para 24,3% em 2014. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, isso não implica na obrigatoriedade de os pais arcarem com todos os custos desses filhos que saem de casa mais tarde.
Segundo os especialistas, dividir as contas de casa com os jovens que estão no início da vida adulta não apenas é importante para a saúde financeira da família, como é também fundamental para a própria formação dos jovens. “Além de transmitir responsabilidade e autonomia, os pais fazem com que o filho valorize mais o lar, os bens materiais e o seu próprio trabalho”, afirma o educador financeiro Julio Santos, autor do livro “Educação Financeira para Pais e Filhos” (Editora Rebentos).
Dentre os principais benefícios dessa divisão de contas, Julio inclui a conquista do equilíbrio financeiro da casa e a união familiar em torno de um objetivo. “De forma prática, pode-se assegurar o consumo consciente e saudável para todos, sem redução da qualidade de vida e, ao mesmo tempo, a construção de reservas financeiras necessárias para a realização de projetos como a compra de uma casa, financiamento de um carro, aposentadoria e viagens, entre outros”, orienta. “A contribuição dos filhos ao orçamento doméstico fortalece vínculos e torna todos mais saudáveis financeiramente”, acrescenta o especialista.
Para o mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas, Carlos Daniel Coradi, o ideal é que essa contribuição não seja imposta, mas surja naturalmente, a partir da educação transmitida aos filhos desde a infância. “Os pais devem, gradativamente, transmitir aos filhos a ideia da corresponsabilidade”, afirma. Mas, caso os filhos não percebam a importância de ajudar em casa, também vale uma conversa franca e amigável. “Explicar os gastos que a casa possui e definir com um filho um valor a ser doado por mês é uma boa saída. Mesmo que o valor seja pequeno, serve para estimular a responsabilidade, o compromisso e o companheirismo”, afirma psicólogo Marcelo Quirino, especialista em psicologia clínica pela Universidade do Rio de Janeiro.
Julio Santos destaca, ainda, que esse diálogo é necessário, mas os pais jamais devem fazer o uso de chantagens emocionais, com frases do tipo “Eu me sacrifiquei por você a vida inteira”. “Esse tipo de atitude só serve para afastar as pessoas. O bom senso deve prevalecer, junto com a dedicação ao relacionamento e o amor. O dinheiro deve ser entendido como um instrumento em nossas vidas e não como um objetivo a ser perseguido”, adverte.